Tofu grelhado com arroz de tomate

Demorei para gostar de tofu. Na verdade, não sabe a nada. E não é obrigatório comer numa alimentação 100% vegetal. As leguminosas são a nossa maior fonte de proteína e isso basta. Mas de vez em quando apetece alguma coisa diferente, em sabor e em textura. É aí que entra o tofu. Não saber a nada tem vantagens. Como absorve muito bem os temperos pode saber ao que nos apetecer no momento. É um alimento feito a partir da fermentação de grãos de soja. A soja tem todos os aminoácidos essenciais, logo, o tofu é um ótimo alimento. Muito conhecido por ser rico em proteína e com pouco teor de gordura.

Eu uso (e aconselho) tofu natural biológico que esteja embalado em vácuo e guardado no frio. Há de várias marcas. Eu tenho uma preferida, mas este que vos trago é de marca branca (biológico na mesma) e fiquei surpreendida pela positiva. De textura consistente, mas tenro, sem parecer borracha como pode acontecer com outras marcas. Quem estiver a iniciar estes caminhos mais verdes tem de experimentar até encontrar uma marca que vos agrade. Pode acontecer gostarem de uma bem acessível e depois não há desculpa! ;-) Mas leiam os rótulos, para poderem preferir os que têm o mínimo de ingredientes possível. Tofu só precisa de ter água, grãos de soja e um coagulante, sendo o mais comum o Nigari. Nada mais.

Umas horas antes de começar a cozinhar deve deixar-se o tofu a marinar. Lá está, para absorver o que lhe pusermos. Para a marinada, num recipiente com tampa, coloquei 2 colheres de sopa de molho Shoyu (molho de soja, mas para uma versão sem glúten devem usar Tamari), 2 colheres de azeite (de baixa acidez), mais um pouco de vinho branco (podia ser sumo de limão, mas não tinha no momento) e uma colher de chá de alho em pó. Misturei tudo muito bem. Reservei. Depois de retirar o tofu da embalagem, apertei-o entre algumas folhas de papel de cozinha para retirar alguma da humidade que trazia. Podem usar um pano de cozinha bem limpo e apertá-lo contra a bancada da cozinha, por todas as faces. Assim, sem estar encharcado, absorve melhor os sabores da marinada. Depois fatiei-o com cerca de meio centímetro. Coloquei as fatias no recipiente e fechei-o para poder abanar a marinada contra as fatias sem salpicar tudo. Deste modo o tempero é distribuído mais homogeneamente pelo tofu. Por esta altura já devem ter dado conta que tempero muitas coisas em caixas fechadas. :-) Fui virando a caixa enquanto preparava o resto da refeição.

ficaram muito tenros

Na mesma altura que preparei a marinada do tofu, também coloquei o arroz branco de molho em água. Primeiro lavei-o em água corrente e depois tapei-o com o dobro da água. Não, o arroz branco não precisa de ser demolhado para cozinhar melhor, mas se quiser aumentar a sua digestibilidade e retirar algum do arsénio que ele contém, sim. Vejam aqui (em inglês) o que se passa com o arroz. Desfiz 2 tomates chucha com a varinha mágica. Depois verti a tomatada para um tacho onde juntei 1 dente de alho picadinho (sem o pedúnculo), meia cebola doce picadinha, 2 fatias minúsculas de pimentinho laranja, um fio de azeite e deixei cozinhar uns 5 minutos. Depois juntei uma medida e meia de água e o arroz escorrido. Envolvi e deixei cozinhar tapado, no mínimo, por 10 minutos.

O tofu foi grelhado numa frigideira anti-aderente untada com um fio de azeite, em lume médio. Grelhei primeiro as fatias que estavam por cima, ou seja, aquelas que não absorveram tanto os temperos. Considerei estas as fatias dos miúdos. Estavam mais suaves que as restantes. Depois de grelhadas as deles, coloquei as nossas na frigideira e verti o líquido da marinada para a frigideira. Era pouco, mas ainda borbulhou um pouco. As nossas fatias ficaram, por isso, mais apetitosas.

O mais pequeno a comer brócolos como se fosse uma sobremesa, em silêncio e sempre seguido!
O mais pequeno a comer brócolos como se fosse uma sobremesa, em silêncio e sempre seguido!

Os brócolos foram cozidos a vapor. Só consigo gostar se estiverem quase crus. Curiosamente os meus miúdos também. Achei sempre que não gostava de brócolos e só os comia disfarçados em sopas, mas um dia comi-os al dente, já não me lembro bem onde, e adorei. Se me esqueço deles e os cozo um pouco mais os miúdos passam a refeição a dizer que «os brócolos hoje sabem mal». Há dias apanhei o mais novo a dizer isso do alto dos seus 2 anos e meio. Foi de rir. Estávamos a comer na minha mãe e ela gosta dos brócolos verdadeiramente cozidos. Eles fizeram imensas fitas para acabar a refeição. Mas quando estão al dente, como neste jantar, é vê-los de brócolo na mão, a comer em silêncio. Um pequeno bocado de céu!

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